Poemas

e

Poesias

A PALAVRA

              Maria L. Cavalcante
                                    
Escrita ou falada a palavra
Tem a força de um canhão
Se de bondade combinada
Com os ditames do coração
Produz grandeza alada
Voando pela amplidão

Mas se de maledicência
Mal querência em profusão
Muda o bem e sua essência
Traz a dor, a maldição
Leva o próspero à falência
O confiante à desesperação

Ao falar, preste atenção
No que vai pronunciar
Pode dar satisfação
Ou então pode magoar
Ter cuidado com ação
E também ao conversar

 

Palavras, doces palavras
Quero ouvir por toda parte
E também distribuí-las
Para quem ouça se farte
As pessoas elogiadas
Tornam-se porta-estandarte

Por tudo isso e mais
Você deve bem falar
A pessoas e a animais
Que todos vão adorar
Palavras ditas leais
Traduzem em verbo amar

 

 

Amor Outonal                   
                      M. L. Cavalcante
                     (26/11/08 – 12:34h)

 

    É outono - folhas e flores desprendem-se das árvores.
    O solo nacarado pela presença das já esperadas partículas
    Enche-se de uma beleza fugaz do natural evento.
    Embora o fenômeno obedeça à estação,
    Alguns diminutos fragmentos teimam em resistir.
    Mesmo com o soprar dos ventos
    Mantêm-se intrépidos sem arrefecer
    Aguardando quase milagrosamente
    Algo que lhe mantenha no caule benfazejo
    Como se a adivinhar a presença do inesperado
     E tardiamente se beneficie de privilegio
    Para uma renovação, um sentido
    Que o faça novo outra vez no gozo
    De vigorosa existência.
  
   Assim somos nós seres humanos
   Não nos entregando ao vendaval do tempo
   Esperamos uma dádiva quase impossível
   Do fenômeno que move a Terra, o mundo
   Que transforma a dificuldade em possibilidade
   Que promove germinação do que está enterrado
   E surge com uma exuberância quase onírica
   Que mostra o invisível aos olhos da lógica,
   Faz vir à tona o esquecido sentido de viver
   Iluminando entranhas de esquecidas grutas
   Fazendo delas abrigos acolhedores
   Que não é senão com ricos esplendores
   O singelo e mais belo sentimento – O AMOR

  

Eternizando

Só quem viu o amor acontecer de longe
com os olhos cheios de lágrimas
e o coração cheio de vontade
sabe perdoar...

Entende o valor de estar junto
Só quem se sentiu de fora
como patinho feio
pode saber o quanto é bom estar dentro.

Só quem nunca havia existido
pode saber a delicia que é estar vivo
Só quem sentiu a dor de perder
pode se alegrar verdadeiramente...

Só quem não acreditou em dúvidas
pode ter sempre a certeza de acreditar...
Só quem aprendeu sozinha
Pode aprender junto.

Só este amor platônico pode se tornar
o amor incondicional,
assim só assim...

Entre tudo que começa e tudo que continua
a luz  brilha com as marcas de quem só passou por mim.
Só quem faz acontecer e acredita com a alma
sabe que  o amor a cada dia se transforma...

Autora: Letícia Fortuna

Diante...

Diante do sol...imagino -me poder sentir feliz
Diante da lua ...uma vida que sempre quiz..
Tristezas e desarmonias
me impedem de olhar
tudo aquilo que neste mundo
sempre estive a desejar...
Melancolia a revelia
num coração triste
que neste mundo
veio para amar...
As ondas sobem
almejando o céu
levando para dentro do mar
Tudo o que pode arrastar....
E eu ergo meus olhos diante do céu
Tentando te encontrar
para  novamente poder te amar....

Dora

MUNDO

MUNDO INGRATO
MUNDO CHATO
MUNDO CHEIO DE MAUS TRATOS

VIDA INGRATA
VIDA CHATA
VIDA CHEIA DE PESSOAS
MALTRATADAS

PODEMOS MUDAR ISSO!
BASTA QUE COLOQUEMOS O AMOR
 ACIMA DE TUDO....

BASTA QUE CONTRIBUIMOS COM
UMA PEQUENA PARCELA
PARA QUE A VIDA DE CERTAS PESSOAS
SEJA MAIS SINGELA....

Dora Augusta Penachini Marcucci

Palavras

 Não sou uma poetisa
 mas alegro-me em escrever
 palavras sinceras...
Que saem do meu ser...

 

Não sei o que me inspira
Sou eu?
É você?
Quem será?

Não importa...
Só sei que
a qualquer momento
uma poesia surgirá.

Dora Augusta Penachini Marcucci

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta,
muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.


(Vinícius de Moraes)

Alma Gêmea

Alma gêmea de minha Alma
Flor de Luz de minha Vida
Sublime Estrela caída
das belezas da Amplidão.

Quando eu errava no Mundo...
Triste e só, no meu Caminho,
Chegaste devagarinho 
e encheste-me o coração.
 
Vinhas na Benção das flores
da Divina Claridade, 
Tecer-me a Felicidade
em sorrisos de Esplendor!

És meu Tesouro Infinito.
Juro-te Eterna Aliança.
Porque sou tua Esperança,
Como és todo meu Amor!


Alma Gêmea de minha Alma
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia,
da saudade nos seus véus...

Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te entre as flores
da Claridade dos Céus.
Emmanuel
(Psicografado por Chico Xavier)
Mensagem do livro "Há 2000 anos"

 

Quem…
(Cândido)

 
Quem nunca chorou na vida
Lágrimas de despedida
No cais da separação,
Não conhece a dor suprema
De quem escreve um poema
Com a tinta da emoção.
 
Quem na vida pavoneia
A sua barriga cheia
Depois dum lauto jantar,
Não sabe quem se consome
Para temperar a fome
Com o sal do seu olhar.
 
Quem anda na alta roda
E veste roupas da moda
Com desenhos de paris,
Não entende o arrepio
De quem morrendo de frio
Sente-se tão infeliz.
 
Quem vai ao templo eleito
Bater com a mão no peito
Pedir favores a Deus,
Nem lembra do desgraçado
Desse infeliz mutilado
Sem mãos para erguer aos Céus.
 
Quem esconde a sua idade
Com silicone e vaidade
Enchendo a massa mamária,
Quer lá saber das crianças
Que morrem sem esperanças,
De fome, frio e malária.
 
Quem muda a cor do olhar
Com lentes da cor do mar
Ou de outra coloração,
Quer lá saber do ceguinho
Que tropeça no caminha
Do mundo da escuridão.
 
Aquele doido estarola
Que a dar pontapés na bola
Ganha fortunas sem par,
Quer lá saber do vizinho
Preso às muletas de pinho
Pois nem pés tem para andar.
 
Quem só tem o coração
Pra manter viva a ilusão
De que pode comprar tudo,
O seu peito é um armário,
Não o Santo relicário,
Dum coração doce e puro.
 
E depois vêm os poetas
Escreverem suas tretas
Denunciando a hipocrisia.
Mas olhando lá no fundo,
São iguais a todo o mundo
Exceto na poesia.


  Cândido, 27/02/2009

MÃE

Afago constante,
Mesmo distante,
Lágrimas rolam,
                   Num rosto doente de saudades,
     Procurando  ver-te,
       Para sentir felicidade.

 

Como uma brisa,
Logo aqui estás,
          Diante de imagens perfeitas,
       estou a te imaginar.

 

       Pairando sobre o ar,
                 Me traz doces lembranças,
      Um abraço apertado,
                No rosto um suave sorriso,
      E pairando sobre o ar,
                 Faz-me novamente respirar!

          Dora Augusta Penachini Marcucci                                          
                                                      

 A Saudade do Caipira

Seu moço!
Eu vim da roça.
Lá deixei minha palhoça.
Esposa em estado de graça.
E cinco filhos pra criá.

Deixei uma vaca no pasto,
Quase sem leite nas tetas.
Uns pezinhos de mandioca,
Que a seca não deixou vingá.

Antes de sair de lá...
Comprei sarilho pro poço,
Esperança da água de novo
Quem sabe nele brotá.

Lá, deixei meu violão,
Um papagaio espoleta
E tudo que pus na maleta
Foi a esperança de vortá.

Aqui na cidade grande
A solidão me invade...
Quase morro de saudade,
Vendo ano a ano passá.

Sem saber da minha terra.
Se meus filhos já são homens
Ou se morreram de fome
E minha mulher como tá?

Não sou homem de leitura.
Paguei pra escrever as linhas
E sem resposta alguma,
Minha esperança definha.

Seu moço!
Essa minha história...
Já se foram vinte anos,
e eu nesse desengano
Sem nunca vortá pra lá.
Mas a fé em Padrim Ciço
Não me deixa desanimá.

(Sirlei L. Passolongo) 

Não me fale de saudade


Ah! que dor pungente a saudade...
Ela chega e invade todos os cantos,
Machucando tanto o coração da gente!
Lembrando-nos de quem amamos.

Não me fale de saudade por favor...
Sinto falta da presença tão ausente,
Dos teus beijos e do teu amor,
Da nossa paixão ardente...

Hoje mergulho no infinito da solidão,
Penso no teu sorriso e nas noites de amor,
Sonho em ouvir as batidas do teu coração,
Em atirar-me em teus braços com furor...

Entregar-me ao carinho deste recordar,
Aliciando desejos guardados em mim,
Sentindo a tua cruel ausência de  me amar
Nesta noite de luar, nesta fria cama de cetim...

(Enviado por Roberto Rossi Jung)

Esse momento que é meu

 Esse é meu momento,
De liberdade e de  loucura,
Mente a procurar estranhos ninhos,
Recolhimentos d’alma.

Meu momento então é esse,
Conversas interiores,
Entendimentos inaccessíveis,
Apenas um abrigo protetor.

Momento só meu,
Em íntima relação com o universo,
Tirando de sua energia,
A minha humilde sabedoria.

Momento de atravessar fronteiras,
Visualizar a natureza que me chama,
Ser apenas um elemento do planeta,
Enquanto não encontro a minha fé.

Momento de me desnudar inteira,
Na relação corpo e alma,
Entender minhas loucuras
E fazer delas uma  força.

Momento de dizer o meu lamento,
Entender  as contradições,
Esgueirar-me para as densas nuvens,
Enquanto sou eu mesma.

Momento de chorar intensamente,
De gargalhar freneticamente,
De nada, na verdade, me importar,
Nesse momento que é meu.

Momento de olhar intensamente,
Fugir para as estrelas que ofuscam,
Sentir-me no brilho que machuca,
Nesse momento que é meu.

(Vânia Moreira Diniz)

Som Eterno

Hoje quero suavidade no amor,
Mãos dadas, olho no olho,
Um carinho que expõe a ternura,
O beijo que inspira desejo.

Compreensão de minhas palavras,
Admiração a fixar-me enlevado,
A alma suspensa em meus lábios,
O momento feliz de simples carícia.

Hoje quero apenas teu sorriso,
A crença no meu profundo amor,
O romance ardente a nos transformar,
E as juras profundas e sinceras.

Admirar longamente teu rosto amado,
Poder sorrir doce e intensamente,
Fixando profundamente teus olhos
E me perdendo na luz que me vem deles.

Ouvir tuas palavras tão cariciosas,
Bem pertinho dos meus ouvidos,
E vibrar com aquela sintonia,
Que me traz acordes de ternura.

Sentir que és meu amor e minha vida,
Dançar ao ritmo de nossos corações,
E nos passos cadenciados entrelaçarmos,
Corpo e alma num mesmo som eterno.

(Vânia Moreira Diniz)

Coração Impiedoso

Ao som desta melodia,
escrevo meu poema
e coloco nas notas musicais
minha emoção que se espalha pelo ar
e é levada até onde estás,
também a ouvir esta mesma canção.

Te aquieta coração impiedoso!

Já não te sentes satisfeito
pelo que me tens feito sentir?
Ainda queres mais?
Para que?

Apenas para que eu tenha certeza
de que estás e continuas pulsante
dentro do meu peito?

E por acaso não o sei eu,
nas noites em que as trevas
invadem minha solidão,
que é por tua culpa,
coração impiedoso,

Que sofro e carrego dentro de mim
toda esta emoção contida,
que coloco agora,
como um desabafo,
nas linhas deste poema?

(Autoria: Rose Mori)

Poemas de Wagner Mansolelli

Hora do Adeus.

Ta na hora de dizer-te adeus,

De tudo se tornar lembranças,

Transforma-se em passado, mero passar em nossas vidas,

As mãos que antes juntas estiveram buscando outras mãos,

As caricias novas faces e corpos,

Ta na hora de dizer-te adeus,

De não mais ouvirmos a voz,

Sem bons dias ou boas noites,

Sem os ombros pra recostar as cabeças;

Ta na hora de dizer-te adeus e a dor já tomou-me,

Os soluços já se escutam ao longe,

As mãos sequer conseguem escrever ou a boca liberar a voz,

Ma o momento chega e tenho que mesmo com mãos sem vontade,

Sem a voz ter desejo ou o pensamento querer permitir digo-te

ADEUS!!!!

TRENZINHO DA ESPERANÇA

Chuc, chuc, chuc, chuc,

La vai o trenzinho de minha vida,

Colorido e cheio de esperteza e traquinices,

Pinpão e reluzente em suas muitas cores,

Piuiiiiiiiiiii,

A apitar e alegrar,

Carregando as crianças que vivem dentro em mim;

Os gritos e risos ecoam pra todo lado,

Passando sobre um solo de palavras encantadas,

Sobre pontes de cor e alegria plena

Chuc, chuc, chuc, chuc,

Correndo sobre trilhos de pura satisfação,

Escorregando pelo caminho vida,

Contente com a visão de um mundo lindo,

A vegetação que fica parece correr

                                               e nela a vida que jorra em meu ser,

Sou alegria, contentamento, sou o trem que se chama felicidade!

Piuiiiiiiiiiiiiiiiii;

Cheguei a estação que buscava de nome Esperança, fim da linha!

Amor Démodé

Desculpe-me por amar-te com um amor antigo,
Amor sem modernismos, insano até;
Absolva-me do crime de ser carinhoso;
Perdoa-me por ser zeloso;
Desculpe ainda por não aceitar 
dividir-te por tanto querer bem;
Enfim liberto-te do cárcere de minha adoração;
Sinta-se livre sem as amarras de um tolo sonhador, 
que vive de devaneios de um amor puro;
Cá fico a viver lembranças de algo que nunca existiu,
De algo puro e de pensamentos só de um pro outro,
Pedindo-lhe perdão entrego-me ao fenecer,
Desculpe-me, perdoa-me, absolva-me
Da ingenuidade de um amor démodé!!!!!!!!!!

“Do meu rosto escorre a lagrima que transborda de lutas meu coração, uma mesma lagrima sempre, sempre, sempre!
A mesma luta, o mesmo coração, sempre, sempre, sempre!
A lagrima que borra o papel, que da graça a escrita, que da charme á leitura,
E a lagrima escorre, sempre, sempre, sempre! “

O FIM

O dia nasce e o sol não surge,

A mais tristonha e penumbrosa manhã,

Escutam-se os passos de soldados da escuridão,

Os cães a uivar sentindo o fim,

Os sinos tocam, lamentam,

O dia em que a verdade surgirá chega;

Ouvem-se os gritos e escandalosos ais,

Cavalgando no alto o cavaleiro da justiça

             Desembainha sua espada de verdade,

E mais gritos e lamentos se ouve ao longe,

E os soldados continuam sua carnificina terrível;

Os merecedores do juízo tentando esconder-se,

De nada adianta, pois o cavaleiro tudo vê, tudo sente,

Após horas, dias e semanas a paz de retorno,

Tudo limpo, tudo são!!

E o sol de retorno,

As flores desabrocham como nunca se viu,

E os sinos agora festejam, os que restaram sorriem,

Nova vida, novo mundo,

Sem os transgressores, os cafajestes e crápulas!!!!

RAIVA DO MEU RELÓGIO

To com raiva do meu relógio

Ele sempre tão exato me mostra quão inexato sou

To com raiva do meu relógio

Que teima em girar ponteiros me fazendo mais velho

Que me da rugas na alma e no corpo

Que me mostra que tenho compromissos

Que como uma cadeia parecem

To com raiva do meu relógio

Ele que fica lá impassível

E mesmo assim faz as coisas passarem

Esses ponteiros que nunca saem do eixo

Mostram-me como sou descentrado

To com raiva do meu relógio

Ele olha pra mim e ainda me fala

Tic tac, tic tac, tic tac, raiva, relógio, raiva, relógio.

Parou!!!!

ACABOU

Foi lindo porem acabou,

Mágico e acabou,

Feliz mas acabou,

Delicioso mas acabou,

Acabou deixando um rastro de destruição,

                                                        de tristeza e desolação;

O findar doloroso, as lagrimas a escorrer num rosto calejado de tanta magoa,

O adeus de mãos tremulas, o até nunca de bocas doídas,

Tal qual um aleijado sem muletas saio a tentar caminhar,

Sem apoio, sem vontade, sem coragem;

Olho pra vitrines e só vejo escuridão, procuro a escuridão,

Penso em mãos dantes dadas, em caminhares juntos e felizes,

Mas acabou, o  devaneio de eternidade, a fantasia de cumplicidade;

Acabou, se foi, findou,

E com eles minha alegria!!

VERSO E REVERSO

Vejo o inverso e o reverso

A frente e o verso

A luz e  a cruz

Sinto o frio e o rio,

Vontade e maldade,

Calor e amor,

Sou eu e teu,

Sou sensibilidade e felicidade,

Sou choro e estouro,

Sou sempre, até sem rimas tolas,

Sem rascunho, sem projeto,

Sou eu, poeta e amor!!!

SAUDOSO

 O Ranger de uma velha cadeira de balanço,

O canto de um canário,      

Cheiro de bolo de fubá,

E crianças a brincar,

Tudo isso me remete aos sonhos infantis

De um tempo sem maldade,

Sem temor,

A proteção de meu pai

O cuidado de mamãe,

A vida de quase roça,

Eita vida boa !

Como hoje me dói ver nossos meninas e meninos

Hipnotizados diante de maquinas gélidas

Sem ouvir a velha cadeira,

Sem sequer prestar atenção nos passarinhos,

As pessoas tentando ser símbolos

                                     através de seus corpos

Propagandas cheias de malicia de suas curvas,

Inteligência desprezada,

Pureza consumida,

Valores tão baixos,

E a cada minuto agradeço aos velhos e bons valores

Aqueles que jamais se vão

E quero ouvir o ranger, sentir o cheiro.

Brincar com os pássaros

Ser criança pra sempre !

XEQUE-MATE

Nexo, onde está?

Contrapontos e desapontamentos,

Andar e parar,

Sonhar, acordar, e novamente dormir;

Comer e vomitar,

Lutar, guerrear e espernear;

Cenas de minha vida, de minha sina, de minha ira;

As flores sempre plásticas dramaticamente sujas,

Sujas como o que me cerca, o que me leva, o que me acolhe;

Meus animais empalhados de medo e cagaço,

Mortos a bodoque, a chicote, á semanas;

O existir quase lúdico de tudo, ao meu redor caído de vergonha e tédio;

O que consola são cigarros, cinzeiro e aceitar;

Aceite está meu remate, meu xeque-mate, o desastre!

Fim de jogo rei caído;

O rei é meu, sou eu, foi teu!